Introdução

Faz um ano que lançamos a primeira edição desta pesquisa. O momento era bem particular: havíamos coletado os dados em fevereiro de 2020, antes do isolamento social se consolidar no país. Quando lançamos o relatório, em março, tudo havia mudado: estávamos isolados em nossas casas, com a maior parte das escolas e dos estabelecimentos comerciais fechados.

A situação ainda não se normalizou, e nem sabemos quando isso irá acontecer. Mas, conforme prometido, fizemos esta segunda edição para entender os impactos da pandemia no comportamento financeiro. 

Ao contrário do que se pode imaginar, os dados de gestão e saúde financeira não trouxeram grandes variações. Todas elas ocorreram dentro da margem de erro ou com uma variação muito pequena. Por isso, não estamos trazendo dados comparativos entre os dois anos. 

Isso quer dizer que a pandemia não impactou o bolso do brasileiro? Impactou sim, e muito. Mas os dados mostram que, de forma geral, o comportamento financeiro se manteve estável. Isso porque a pandemia afetou as pessoas de formas diferentes. Quem teve o privilégio de trabalhar de home office e diminuiu os gastos com lazer, viagens e transporte, por exemplo, viu seus gastos reduzirem e conseguiu até juntar dinheiro. 

Já quem perdeu o emprego, teve redução salarial ou precisou passar a alimentar os filhos que antes comiam na escola, por exemplo, viu os gastos aumentando e a renda diminuindo. O auxílio emergencial pago pelo governo a milhões de brasileiros impediu que a situação fosse ainda mais grave. 

No contexto geral, portanto, não sentimos a diferença. Mas, no último capítulo, em que falamos especificamente da relação com o dinheiro em 2020, identificamos as diferentes realidades e o forte impacto da pandemia. Mais do que isso, a pesquisa mostra também como a crise sanitária prejudicou ainda mais as classes mais baixas. 

Para mostrar isso com clareza, detalhamos os resultados divididos por classe, e os dados são impressionantes. O objetivo deste relatório é trazer uma reflexão sobre o comportamento financeiro, para ajudar empresas e organizações a entender como a forma do brasileiro lidar com o próprio dinheiro pode influenciar o seu negócio. 

Boa leitura!

Perfil da amostra

A pesquisa sobre comportamento financeiro foi realizada em fevereiro de 2021 com 2.096 internautas de todos os estados brasileiros pelo Painel de Consumidores do Opinion Box

A margem de erro da pesquisa é de 2,1pp. 

Sexo

Idade

Renda

Região

Gestão financeira

Ter ou não ter dinheiro é uma questão relativa. Aqueles que ganham até dois salários mínimos podem sentir que tiveram sucesso financeiro por não ter dívidas a pagar, enquanto outros que ganham mais de 10 salários mínimos se sentem fracassados por não conseguir realizar algum sonho. O que é, então, o sucesso financeiro?

Para 27% dos entrevistados, sucesso é alcançar a estabilidade financeira. 16% acham que, mais do que ter uma situação estável, o sucesso depende também de uma reserva financeira e 15% associam o sucesso financeiro ao conforto da família. 

Independentemente do que seja sucesso para você, para alcançá-lo é preciso ter uma boa gestão financeira. 85% acreditam que uma vida financeira saudável está associada ao acompanhamento recorrente dos gastos e 80% afirmam que controlam ou registram os seus gastos, seja a partir de um aplicativo, uma planilha ou mesmo um caderno. 

74% gostam de administrar o próprio dinheiro, mas 69% têm medo de não conseguir ter uma reserva financeira no futuro. 45% sentem que as compras por impulso prejudicam a sua gestão financeira e 29% passam a maior parte do mês sem dinheiro. 

O que é sucesso financeiro?

Controla/registra os gastos?

Importância de acompanhar os gastos para uma vida financeira saudável

Gosto de administrar meu dinheiro

Tenho medo de não ter uma reserva financeira no futuro

Compras por impulso prejudicam meu planejamento financeiro

Passo a maior parte do mês sem dinheiro

Saúde financeira

Com a internet e as redes sociais, nós assistimos o tema da educação financeira crescer exponencialmente. São diversos influenciadores, consultores pessoais e corretoras de investimento online, além de sites e blogs especializados que oferecem conteúdo nos mais diversos formatos. 

O consumidor utiliza muito esses canais, mas ainda prefere aqueles associados às instituições financeiras. 

O uso da internet para se informar ou contratar produtos financeiros foi impulsionado pela pandemia. Na hora de pesquisar um produto financeiro qualquer, apenas um quinto dos entrevistados procuram atendimento pessoal. 

53% se informam nas informações do site ou aplicativo da sua instituição financeira e 32% recorrem a outros canais de conteúdo dessas mesmas instituições, como o Instagram e o Youtube. 31% se informam com influencers e especialistas online e 32% preferem perguntar para amigos e familiares que já utilizam esses produtos.

62% dos entrevistados acreditam que sabem como investir seu dinheiro, sendo que 33% afirmam que já fazem algum investimento, 23% gostariam de investir, mas não têm recursos para isso e 6% não têm interesse. 

Já entre os que não sabem como investir, 21% gostaria de fazer algum tipo de investimento, 12% não sabe e não tem recursos para investir e 5% afirmam que não tem interesse. Ou seja, independentemente de já investir ou não, apenas 11% dos entrevistados não têm interesse em fazer investimentos. Por outro lado, 35% afirmam que não possuem recursos para investir. 

Canais de informação sobre produtos financeiros

Sabe como investir seu dinheiro?

Com relação às opções de crédito e empréstimos, 18% não conhecem nada e 29% conhecem só de ouvir falar. Por outro lado, 51% já precisaram buscar crédito ou empréstimo no mercado, sendo que 20% tiveram o crédito ou empréstimo negado pelo menos uma das vezes que tentou. 

Entre as opções de crédito mais utilizadas estão o crédito pessoal, o empréstimo e o empréstimo consignado. 

Chama a atenção também que 46% já precisaram de crédito temporário até um próximo pagamento, ou para aproveitar alguma oportunidade/promoção.

36% dos entrevistados acham difícil guardar dinheiro e 20% utilizam crédito rotativo enquanto aguardam o próximo salário. Além disso, apenas 42% nunca pegaram dinheiro com amigos ou familiares. 

Conhece as opções de crédito e empréstimos disponíveis?

Já buscou crédito ou empréstimo no mercado?

Qual opção de crédito já usou?

*Respondeu apenas quem já buscou e conseguiu

Já precisou de crédito temporário?*

*Para aproveitar uma oportunidade ou promoção antes de um próximo pagamento

Acho difícil guardar dinheiro

Nunca peguei dinheiro com amigos ou parentes

Uso com frequência crédito rotativo enquanto aguardo o próximo salário

Impactos da pandemia

A distribuição de renda no Brasil é um problema grave. A Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) 2019 realizada pelo IBGE revela que os 10% mais ricos acumulam 43% de toda a renda de trabalho dos brasileiros. Além disso, o 1% com maior rendimento mensal ganha 180 vezes mais do que os 5% que têm a menor renda. 

Os dados da Pnad de 2020 ainda não foram divulgados, mas tudo indica que a pandemia agravou e muito essa situação. Isso não quer dizer que as classes mais altas não foram afetadas, foram também – mas de forma diferente. 

5% dos entrevistados das classes AB perderam o emprego e ainda não conseguiram se recolocar e 6% foram desligados, mas já estão trabalhando de novo. Nas classes CDE, esses números crescem para 14% e 9% respectivamente. 43% das classes AB permaneceu no mesmo emprego sem reduções salariais. Nas classes CDE esse número cai para 26%. 

Se não fosse o Auxílio Emergencial, no entanto, a situação poderia ser ainda pior. 43% dos entrevistados das classes CDE e 18% dos das classes AB ou alguém de suas famílias receberam a verba disponibilizada pelo governo. 

Mas a pandemia impactou as pessoas de formas diferentes. Houve, por exemplo, quem conseguiu aumentar suas reservas financeiras neste período. Foi o caso de 34% dos entrevistados das classes AB e de 14% das classes CDE. Por outro lado, 35% das classes AB e 39% das classes CDE gastaram parte ou tudo do que tinham guardado.

Qual das situações vivenciou em 2020?

Reserva financeira em 2020

As dívidas e empréstimos também afligem mais as classes mais baixas. 31% estão conseguindo pagar suas dívidas em dia, 14% estão pagando em atraso e também 7% ainda não contraiu dívidas mas imaginam que o precisarão fazer em breve. Nas classes mais altas esses números são 39%, 5% e 3% respectivamente. 

Momentos difíceis trazem aprendizados e reflexões e é curioso notar que as lições aprendidas não tiveram variação por classe social. 79% dos entrevistados entenderam durante a pandemia a importância de uma reserva financeira e 71% passaram a rever a forma como se relacionam com o dinheiro. 

Também 71% afirmam que, daqui pra frente, sempre terão algum dinheiro guardado para emergências, 66% reduziram os gastos com coisas supérfluas e desnecessárias e 63% sentem que aprenderam a cuidar melhor do seu dinheiro. 

E esses aprendizados podem ser fruto de experiências vividas em um ano de pandemia. 39% dos entrevistados disseram ter gasto tudo ou uma parte do dinheiro que haviam guardado até ali. E 31% nem começaram o ano com alguma reserva de dinheiro – e terminaram sem também. 

Outro fato que também pode ter relação com os aprendizados citados é de que 45% dos entrevistados disseram ter alguma dívida ou empréstimo em andamento, e 28% deles disseram estar nessa situação porque tiveram uma emergência e não tinham reserva alguma de dinheiro para gastar no momento do aperto.

Andamento e previsão de dívidas e empréstimos

Reflexões e aprendizados durante a pandemia

Conclusões

Falar de dinheiro é um tema delicado. Quem está em situação mais confortável sente que, ao falar de suas experiências, está contando vantagem e se expondo. Já quem está em um momento mais difícil, se sente envergonhado e também não quer falar sobre o assunto com medo de se expor. 

Mas conversar sobre dinheiro é uma ótima forma de trocar aprendizados, minimizar angústias e até encontrar oportunidades para melhorar a sua situação. É por isso que esta pesquisa é tão importante: ela traz dados e informações que destacam a importância da educação financeira e do relacionamento saudável com o dinheiro, independentemente da renda de cada um. 

O primeiro passo da educação financeira é fazer uma reflexão e um diagnóstico sobre o seu momento atual: Qual é o seu custo fixo? Qual é o seu objetivo financeiro? Outro passo importante é entender os principais conceitos do universo financeiro e encontrar fontes de informação confiáveis para te ajudar nesse aprendizado. 

A pesquisa mostra também que o impacto financeiro da pandemia nos brasileiros, especialmente naqueles de renda mais baixa, é um assunto que precisa ser tratado com seriedade, respeito e empatia. Se você está entre os que estão conseguindo diminuir os gastos e ter uma segurança maior, lembre-se que muitos não estão. 

Por outro lado, se você está entre os que estão sentindo maior os danos e prejuízos, você não está sozinho nessa. Busque ajuda, converse com pessoas próximas e entenda as opções que o mercado oferece.

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O Xerpay é uma plataforma de soluções financeiras, que permite ao colaborador acessar o salário mensal e o 13º, referente aos dias e meses já trabalhados, antes da data de pagamento. Com o objetivo de fortalecer e transformar as finanças pessoais dos funcionários através de um melhor uso do salário, o aplicativo oferece também um programa gratuito de orientação financeira com conteúdos personalizados.

Uma alternativa ao endividamento que promove o bem-estar financeiro e diminui preocupações com as finanças, inclusive no ambiente de trabalho. Com menos dívidas e juros, e mais controle, economia e liquidez.

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